Feira de Santana completa 193 anos nesta sexta-feira, 18 de setembro, e olhar para a cidade nesta data é também perceber como a forma de morar e ocupar o espaço urbano vem mudando. A Feira de hoje é muito diferente daquela de décadas atrás, e o mercado imobiliário acompanha essa transformação com novos empreendimentos, apartamentos e, mais recentemente, os studios, enquanto o próprio poder público discute como aproveitar melhor regiões que já contam com infraestrutura e serviços, especialmente o Centro.
Segundo o IBGE, Feira tinha 616.272 habitantes no Censo de 2022 e a estimativa chegou a 660.806 habitantes em 2025. É uma cidade que cresceu e continua crescendo, mas esse crescimento traz uma questão importante: como acomodar mais pessoas sem simplesmente continuar expandindo a cidade para áreas cada vez mais distantes?
É nesse ponto que o mercado de apartamentos passa a ter uma importância maior. Em vez de depender exclusivamente de grandes terrenos para construir casas, a cidade também passa a aproveitar melhor áreas que já possuem ruas, comércio, transporte, serviços e infraestrutura instalada. Não se trata apenas de construir prédios, mas de acompanhar uma mudança na maneira como parte da população escolhe morar.
E essa mudança também aparece em um formato que começa a ganhar espaço em Feira de Santana: os studios. São imóveis menores, normalmente pensados para quem valoriza praticidade, localização e uma rotina mais dinâmica. Podem atender tanto quem pretende morar quanto quem enxerga o imóvel como uma possibilidade de investimento, dependendo da localização, do projeto e da demanda existente naquela região.
Um exemplo recente é o AMAN Design Residence, lançado em setembro no Centro de Feira de Santana. O empreendimento reúne studios e apartamentos quarto/sala em uma proposta voltada para uma rotina mais prática, com espaços compartilhados como piscina, academia, lavanderia, sala de reunião, market e bicicletário. São 209 unidades distribuídas em 19 pavimentos residenciais.
Mas talvez a parte mais interessante dessa transformação esteja justamente no endereço onde esse tipo de empreendimento começa a aparecer. O Centro de Feira de Santana, que historicamente concentra comércio, serviços, instituições e grande circulação durante o dia, também precisa voltar a ser pensado como lugar de moradia.
Essa discussão não é nova. O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Territorial de Feira de Santana já estabelece entre suas diretrizes o fortalecimento do Centro, o estímulo ao uso habitacional e a recuperação de imóveis ociosos ou subutilizados. A ideia é aproximar novamente moradia, comércio, serviços e atividades culturais, aproveitando melhor uma região que já possui infraestrutura urbana consolidada.
A própria carteira de projetos estruturadores elaborada pela Sudene para Feira de Santana inclui um Projeto de Produção de Moradia em Área Central, cuja proposta é incentivar o uso residencial nessa região para aumentar sua vitalidade e integrar comércio e moradia.
Na prática, a ideia é simples de entender: um Centro que funciona apenas durante o horário comercial tende a ficar mais vazio quando as lojas fecham. Já um Centro que também tem moradores, serviços, restaurantes, lazer e atividades culturais pode ter uma dinâmica diferente ao longo do dia e da noite.
É por isso que a discussão sobre novos empreendimentos residenciais no Centro vai além do mercado imobiliário. Quando uma pessoa escolhe morar perto do trabalho, de restaurantes, comércio, transporte e outros serviços, ela também pode reduzir deslocamentos e aproveitar uma estrutura que já existe. Ao mesmo tempo, mais moradores podem aumentar a demanda por novos negócios e serviços, ajudando a manter a região movimentada.
A Prefeitura vem colocando o Centro novamente na agenda de desenvolvimento urbano. Em maio deste ano, foi anunciada a desapropriação de uma área próxima às avenidas Getúlio Vargas, Senhor dos Passos e J.J. Seabra para a implantação do novo Centro Administrativo. Na ocasião, o município destacou que a concentração de serviços públicos na região pode contribuir para aumentar a circulação de pessoas, fortalecer o comércio e estimular a ocupação da área.
Isso mostra que a transformação de Feira não acontece apenas com novos prédios. Ela também passa por uma discussão maior sobre onde as pessoas vão morar, onde vão trabalhar, quanto tempo vão gastar para se deslocar e como os espaços que a cidade já possui podem ser melhor aproveitados.
E talvez esse seja um dos pontos mais importantes para os próximos anos. Feira de Santana não precisa apenas continuar crescendo; precisa pensar em como esse crescimento acontece.
A cidade que completa 193 anos tem uma história construída a partir do encontro de pessoas, do comércio e da circulação. Agora, diante de uma população maior e de novos hábitos, pode estar diante de outra transformação: voltar a aproximar pessoas dos lugares onde a cidade já acontece.
No mercado imobiliário, isso começa a aparecer nos novos apartamentos, nos studios e na busca por imóveis mais compactos e bem localizados. No planejamento urbano, aparece na discussão sobre reocupar o Centro. E, para quem vive em Feira, tudo isso representa uma mudança que vai muito além da paisagem: é uma nova forma de pensar onde e como queremos viver a cidade.

