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A Geração Z quer comprar imóvel? O que os jovens estão mudando no mercado imobiliário

Mesmo diante das dificuldades de renda e acesso ao crédito, os jovens lideram a intenção de compra de imóveis no Brasil e mostram que o sonho da casa própria continua vivo.
BRUNO DIAS E GLEICY MACHADO
BRUNO DIAS E GLEICY MACHADO25 de setembro de 2026
A Geração Z quer comprar imóvel? O que os jovens estão mudando no mercado imobiliário
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Durante algum tempo, criou-se a ideia de que os jovens não queriam mais comprar imóveis. Que a nova geração preferia morar de aluguel, viajar, ter liberdade para mudar de cidade e gastar com experiências em vez de assumir um financiamento de longo prazo.


Só que os números começam a mostrar uma realidade diferente.


Uma pesquisa nacional da Brain Inteligência Estratégica revelou que a Geração Z, considerando no levantamento jovens entre 21 e 28 anos, é justamente o grupo que apresenta hoje a maior intenção de compra de imóveis no Brasil. Em junho de 2026, 67% disseram ter intenção de comprar um imóvel, um avanço de dez pontos percentuais em relação aos 57% registrados no mesmo período de 2025. 


É um dado que chama atenção porque estamos falando de uma geração que ainda está no início da vida profissional e que enfrenta desafios importantes para transformar esse desejo em compra de fato.


Os preços dos imóveis, o valor necessário para dar entrada, a renda e o acesso ao financiamento continuam sendo obstáculos para muitos jovens. Uma coisa é querer comprar, outra é conseguir reunir as condições financeiras necessárias para realizar essa compra.


Mesmo assim, o desejo existe e está crescendo.


E isso faz parte de um movimento maior. No segundo trimestre de 2026, 52% dos brasileiros disseram ter intenção de comprar um imóvel, o maior percentual registrado pela pesquisa desde o início da série histórica, em 2019. Cerca de 11% afirmaram, inclusive, ter comprado um imóvel nos 12 meses anteriores, outro recorde do levantamento. 


Quando olhamos especificamente para os jovens, talvez estejamos vendo também uma mudança na maneira de pensar a casa própria.


Para as gerações anteriores, era muito comum imaginar o primeiro imóvel como a casa onde a pessoa passaria boa parte da vida. Era preciso ter espaço para casar, ter filhos, receber a família e construir toda uma história naquele endereço.


Para uma parte dos jovens de hoje, essa lógica pode ser diferente.


O primeiro imóvel não precisa necessariamente ser o imóvel definitivo. Pode ser um apartamento menor, uma unidade mais compacta ou simplesmente um imóvel que faça sentido para aquele momento da vida. Depois, com o crescimento da renda e as mudanças na família, esse patrimônio pode ser vendido, alugado ou utilizado como parte da aquisição de outro imóvel.


E essa mudança também começa a aparecer nos produtos oferecidos pelo mercado imobiliário.


Apartamentos continuam tendo uma presença muito forte na preferência dos brasileiros. No final de 2025, a pesquisa da Brain mostrou que 48% dos interessados em comprar preferiam apartamentos, contra 34% que buscavam casas de rua e 15% que preferiam casas em condomínio. 


Ao mesmo tempo, novos formatos começam a ganhar espaço, principalmente nas cidades maiores e em regiões onde localização e praticidade têm um peso cada vez maior. Apartamentos compactos, studios, condomínios com espaços compartilhados e imóveis próximos a comércio e serviços conversam com uma rotina em que muitas pessoas passam menos tempo dentro de casa e valorizam mais a facilidade no dia a dia.


Isso não significa dizer que esses produtos existem por causa da Geração Z ou que todo jovem deseja morar em um imóvel pequeno. Seria uma generalização. O que existe é um encontro entre mudanças no comportamento das pessoas e uma oferta imobiliária que também está ficando mais diversificada.


E existe outro dado interessante: o jovem também continua olhando para o aluguel.


Em levantamento realizado pela Brain no terceiro trimestre de 2025, 44% da Geração Z afirmavam ter intenção de alugar um imóvel nos dois anos seguintes. Ao mesmo tempo, a mesma geração liderava a intenção de compra. 


À primeira vista, os números podem parecer contraditórios, mas não são.


Um jovem pode querer morar de aluguel agora e, ao mesmo tempo, planejar comprar seu próprio imóvel nos próximos anos. Pode sair da casa dos pais alugando primeiro, mudar de cidade por causa do trabalho e só depois comprar ou simplesmente utilizar o aluguel como uma etapa até reunir entrada e renda suficientes para financiar.


Talvez a principal mudança esteja justamente aí: a trajetória até a casa própria está ficando menos linear.


E existe uma dificuldade financeira real por trás disso. Uma pesquisa recente mostrou que metade dos jovens ainda enxerga a compra da casa própria como uma meta distante diante dos juros elevados e da renda pressionada. Ou seja, existe vontade de comprar, mas também existe uma percepção muito clara das dificuldades para chegar lá. 


Isso ajuda a explicar por que planejamento financeiro precisa começar antes mesmo da procura pelo imóvel.


Para um jovem que pretende comprar sua primeira casa ou apartamento, talvez a primeira pergunta não deva ser “qual imóvel eu quero?”, mas “o que preciso fazer financeiramente para conseguir comprar?”.


Organizar o orçamento, evitar dívidas caras, formar uma reserva, entender quanto consegue guardar para a entrada, conhecer as possibilidades de financiamento e descobrir se existe enquadramento em programas habitacionais pode transformar um desejo distante em um objetivo com prazo e estratégia.


E esse movimento merece atenção também aqui em Feira de Santana.


A cidade vem recebendo novos lançamentos, diferentes tipos de apartamentos e, mais recentemente, novos projetos com studios e unidades compactas. É cedo para afirmar qual será o peso da Geração Z especificamente no mercado imobiliário de Feira, porque não temos um levantamento local que permita fazer essa relação, mas o comportamento nacional mostra que existe uma nova geração entrando no mercado e que ela precisa ser entendida.


Talvez a Geração Z não tenha desistido da casa própria como muita gente imaginava. Ela apenas chegou ao mercado em uma realidade diferente, com outros desafios financeiros, novas formas de trabalhar, novas prioridades e uma variedade maior de imóveis para escolher.


O desejo de ter algo próprio continua existindo. O que está mudando é o caminho para chegar até lá.


E talvez essa seja a principal mensagem que os números deixam: a casa própria continua fazendo parte dos planos dos jovens, mas o primeiro imóvel não precisa ser o imóvel da vida inteira. Ele pode ser simplesmente o primeiro passo na construção de um patrimônio.


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BRUNO DIAS E GLEICY MACHADO

BRUNO DIAS E GLEICY MACHADO

MERCADO IMOBILIÁRIO E EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Bruno Dias e Gleicy Machado mostram como organizar suas finanças e investir em imóveis. @brunodiasb4oficial @corretora_gleicymachado

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