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Pedalar dívidas: quando o crédito deixa de ser solução e passa a ser problema

Trocar uma dívida por outra não é sair do buraco. É apenas cavar um pouco mais devagar.
ANDRE PITOMBO
ANDRE PITOMBO28 de julho de 2026
Pedalar dívidas: quando o crédito deixa de ser solução e passa a ser problema
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Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil trouxe um dado que merece nossa reflexão: 81% dos consumidores inadimplentes recorreram a um novo crédito para pagar uma dívida anterior. Em outras palavras, trocaram uma dívida por outra na tentativa de aliviar o orçamento.


À primeira vista, essa estratégia pode parecer uma saída inteligente. Afinal, quem nunca pensou em fazer um empréstimo para quitar o cartão de crédito ou utilizar o limite do cheque especial para ganhar um pouco mais de tempo?


O problema é que, na maioria das vezes, essa decisão não resolve a causa da dificuldade financeira. Apenas muda o endereço da dívida.


É como enxugar o chão enquanto a torneira continua aberta.


Quando não existe um ajuste no orçamento, uma revisão dos hábitos de consumo ou um planejamento para recuperar o equilíbrio financeiro, o novo crédito se transforma apenas em mais uma parcela, mais juros e mais preocupação.


Outro aspecto que chama atenção na pesquisa é um comportamento bastante comum: a maioria dos entrevistados acredita possuir um bom conhecimento sobre finanças pessoais, mas quase metade não faz um controle efetivo do orçamento. Muitos confiam apenas na memória ou acompanham somente o saldo da conta bancária.


Além disso, todos nós sabemos que é importante economizar, pesquisar preços, evitar compras por impulso e controlar os gastos. O desafio está em transformar esse conhecimento em rotina.


Esse dado mostra uma diferença importante entre saber e fazer.


A verdade é que conhecimento, sozinho, raramente muda comportamentos. Basta olhar para outras áreas da vida.


Quem deseja emagrecer sabe que precisa melhorar a alimentação e praticar exercícios físicos. Muitos conhecem exatamente o caminho, mas ainda assim procuram um nutricionista e um personal trainer. Não porque lhes falte informação, mas porque precisam de orientação, acompanhamento, disciplina e alguém que os ajude a manter o foco até alcançar o objetivo.


Com a vida financeira acontece da mesma forma.


A maioria das pessoas sabe que deveria controlar o orçamento, evitar compras por impulso e planejar melhor seus gastos. O desafio não é descobrir o que fazer, mas conseguir transformar esse conhecimento em hábitos consistentes.


Por isso, buscar o apoio de um educador financeiro, de um planejador financeiro ou de outro profissional qualificado não deve ser visto como um sinal de fraqueza. Pelo contrário: é uma demonstração de maturidade e do desejo de mudar a própria realidade. Assim como acontece com a saúde, ter alguém orientando o processo aumenta as chances de alcançar resultados duradouros.


A pesquisa também evidencia algo que, como educador financeiro, considero fundamental: o dinheiro é emocional.


Metade dos inadimplentes admite que o desgaste causado pelas dívidas influencia diretamente suas decisões. Alguns desanimam porque acreditam que pequenos esforços não farão diferença; outros acabam comprando por impulso como forma de aliviar a ansiedade e o estresse. Nessas horas, o consumo deixa de atender uma necessidade e passa a cumprir uma função emocional.


É justamente por isso que educação financeira não significa apenas aprender a fazer contas.


Educação financeira é desenvolver autocontrole, criar hábitos saudáveis, estabelecer prioridades e tomar decisões conscientes mesmo diante das dificuldades.


A boa notícia é que a própria pesquisa mostra que muitas pessoas aprendem com a experiência. Após enfrentarem a inadimplência, a grande maioria afirma ter mudado a forma de administrar o dinheiro, passando a controlar melhor os gastos, pesquisar preços e refletir antes de comprar.


Mas fica uma pergunta:


Será que precisamos esperar o CPF ficar negativado para mudar nossos hábitos?


Talvez a maior lição seja esta: crédito pode ser uma ferramenta útil quando utilizado com planejamento. Porém, quando passa a servir apenas para pagar outra dívida, ele deixa de ser solução e se torna parte do problema.


Organizar o orçamento, registrar receitas e despesas, criar uma reserva para emergências e aprender a dizer "não" para compras desnecessárias ainda continuam sendo os caminhos mais seguros para conquistar aquilo que não tem preço: a tranquilidade financeira.

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ANDRE PITOMBO

Economia

Economista, Contador, Especialista em auditoria fiscal, em Gestão Empresarial e MBA em Planejamento Financeiro, Empresário e Gestor da CDL Feira.

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