O termo quiet quitting (pedido de demissão silencioso), quando o colaborador deixa de se dedicar ao trabalho, já foi pauta de muitas matérias e inclusive muito usado contra a GenZ, injustamente. Hoje eu trago aqui outro termo, que provavelmente você não conhecia, mas certamente já percebeu na sua jornada profissional. O silent firing (demissão silenciosa ou demissão velada) acontece quando ambientes de isolamento e improdutividade são criados para que o liderados sejam anulados, percam destaque, sejam diluídos até que acabem pedindo demissão por conta própria ou sejam de fato demitidos.
Esses conceitos ganharam força recentemente e ambos são consequências de um problema muito maior: a falha da liderança em construir relações abertas, com confiança, direção e propósito.
Nenhum bom líder, em sã consciência, quer ter alguém em seu time com baixo engajamento, morno ou que arcar com o custo financeiro e de tempo que o turnover alto causa. Será que essas evidências expõem um problema geracional ou um problema do LÍDER?
Ninguém perde o engajamento de um dia para o outro, vai acontecendo aos poucos. Sem receber feedbacks, vai deixando de entender a importância do seu trabalho, sem receber reconhecimento sobre bons resultados, meses sem uma conversa sobre desenvolvimento, sendo tratado apenas como recurso operacional, e não como alguém que contribui para um propósito maior. Isso é um manual para desengajamento e desmotivação do time!
Muitos líderes acreditam que comunicar é apenas transmitir informações e não é apenas isso. Comunicação é garantir entendimento, alinhar expectativas, direcionar ações, esclarecer objetivos, ouvir ativamente, dar contexto para as decisões e criar segurança psicológica para que as pessoas possam contribuir sem medo. Time se desengaja quando deixa de entender por que faz o que faz e quando sente que a voz deixou de ter importância.
Não canso de repetir o quão considero crítica a ausência de feedback decente! Ainda existem líderes que só procuram seus liderados quando algo dá errado. Passam meses sem reconhecer bons comportamentos, sem orientar melhorias e sem dedicar tempo ao desenvolvimento das pessoas. Depois se surpreendem quando encontram profissionais apáticos, sem iniciativa e emocionalmente desconectados da organização?
Feedback não é um momento exclusivo para corrigir erros, é uma ferramenta contínua de construção de confiança. É por meio dele que o colaborador entende onde está, para onde pode crescer e o que a liderança espera dele.
Liderança também não pode ser confundida com exclusiva gestão de tarefas. Controlar prazos, distribuir atividades e acompanhar indicadores uma ferramenta de IA faz. Inspirar pessoas, desenvolver talentos e construir uma cultura onde as pessoas desejam entregar seu melhor é liderança.
Times de alta performance não são construídos apenas por processos bem desenhados, são construídos por líderes presentes, que conversam, escutam, orientam, desafiam e dão significado ao trabalho das pessoas.
Talvez o maior desafio das lideranças contemporâneas não seja aprender uma nova metodologia de gestão, seja reaprender algo muito mais básico: estar genuinamente presente na vida profissional do seu time.
Em ambos os casos, quiet quitting ou silent firing, a comunicação poderia ser uma ferramenta salvadora. O liderado que se sente desmotivado ou colocado de lado, na minha visão, DEVE provocar seu líder e buscar entender o que está acontecendo. Vejo o feedback como uma ferramenta de mão dupla.
Agora cegando ao fim, tenho a visão que o silent firing é a maior evidência de covardia que uma liderança pode praticar. Afastar o liderado da operação, tirar o protagonismo das ações, excluir de agendas sem motivo, se apropriar dos feitos e ignorar de forma proposital é realmente um pacote premeditado de maldade.
Não está alinhado ou satisfeito com seu colaborador? Já tentou e não conseguiu obter os resultados com bons feedbacks, mentorias e acompanhamento diário? Paciência... demite de forma respeitosa e clara. É parte do jogo!
Uma boa liderança dificilmente vivenciará o quiet quitting e jamais praticará o silent firing. Ficou claro?
Agora me conta, já conhecia esses termos? Já percebeu isso acontecendo em algum momento?
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